quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Problema

Pi será igual a tal...
Raíz quadrada de mil...
Protões, neutrões, electrões!
Tudo faz embaraçar!
E o coração a bater
E o coração a falar.

Je serais e tu seras...
Impulsão, átomo, força...
- Menina, responda lá:
O que entende por fenómeno?
("Seus beijos parecem brasas,
seus braços parecem asas...")
- Fenómeno!?...Talvez o sinta...
E o coração a bater
e o coração a gritar.

- No Presente e no Futuro
Conjuguem o verbo ter.
("Conjugar o verbo amar
Sei de cor e salteado")
E o coração a explicar
e o coração a sofrer

Títulos de crédito, Diário...
- Façam agora o Balanço!
("Ai, esses olhos que me embalam,
essas mãos que me afagam...")
- Balanço!? Como se faz?...
  ("Ai, que amor de rapaz...!)
Conta, Letras a Pagar...
E o coração a bater
E o coração a vibrar.

Hidrogénio, atmosfera,
Gôtas de ar, respiração.
("Nas nuvens já eu estou")
- Menina, preste atenção!
E o coração encantado
Por alguém que o encantou!

                                                     Eugénia Edviges



Um abraço apertado.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As Badaladas


Mote
Canta a Torre as badaladas
E eu sei bem porque razão
Quando batem as malvadas
Vibram no meu coração

Glosas
Este Largo tem encantos
Que não cabem nos meus versos
Vazios, nus e dispersos.
Nem nas palavras pelo vento
Segredadas
Quando as horas se anunciam e
Canta a Torre as badaladas.

É toque que acarinha
De modo doce e fremente
O peito da minha gente.
Que alimenta o seu sorriso
Como pão,
Que faz seu rosto brilhar…
E eu sei bem porque razão.

Há vida no seu cantar:
Os olhares furtivos do tardar
A conversa que ficou por acabar.
Vivências de outros tempos
Lembradas
E os amores são fugazes
Quando batem as malvadas.

Sentimentos indistintos…
Quero em poemas dizer
A força que nos dá o seu bater
Em rimas que ultrapassem
A razão.
Mostrar como as badaladas
Vibram no meu coração.

                                                      Eugénia Edviges




 Um grande abraço

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Dois poemas pequeninos


PASSAGEM


Flores de papel

Nos cabelos.
Voando em concha
Na corda presa.
Menina ainda...
Sem tempo
Para saber
Que os sonhos
Viriam a ser
Sonhos de papel...!



        

         LUTA

Queria esquecer

Quem fui,

Anseios e brincadeiras

De criança,

Sem o ser.

Queria esquecer

Desejos,

Sentimentos de ternura

Nessa criança-mulher.

Queria esquecer

Tristezas

 E as voltas

Que a vida deu,

Queria esquecer

Canções,

Lamentos da minha alma

Que não chegaram ao céu.





Mas não foi sonho

Ser criança

Pois acordo e por castigo,

O tempo antigo

Vem à lembrança...

E é verdade

O que senti,

Pois com cálice de vento

Traguei o tempo

Mas não esqueci!

                           Eugénia Edviges

Um abração

domingo, 2 de outubro de 2011

RÚSTICA de Florbela Espanca

Eu q`ria ser camponesa
Ir esperar-te à tardinha
Quando é doce a natureza
No silêncio da devesa,
E só voltar à noitinha...

Levar o Cântaro à fonte,
Deixá-lo devagarinho,
E correndo pela ponte
Que fica detrás do monte
Ir encontrar-te sozinho...

E depois quando o luar
Andasse pelas estradas,
D`olhos cheios do teu olhar
Eu voltaria a sonhar,
Plos caminhos de mãos dadas.

E depois se toda a gente
Perguntasse: "Que encarnada,
Rapariga! Estás doente?"
Eu diria: "É do poente,
Que assim me faz encarnada!"

E fitando ao longe a ponte,
Com meu olhar cheio do teu,
Diria a sorrir p`ró monte:                                          
"O cant`ro ficou na fonte
Mas os beijos trouxe-os eu..."


Poema do livro "Versos, Pedaços de Sorriso"
Ilustração de Duhamel



Um forte abraço!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Aquela Infância

Menina fui, de rendas e atavios
Onde embrenhava meus versos descontentes
gemidos breves, rimas escondidas
Nas dobras dos vestidos trnsparentes.

Menina fui no pensar e no agir,
Infância desigual e desditosa;
Quadras sem jeito feitas no regaço
E nos livros escolares searas de prosa

Menina fui testemunha atenta
de atritos, de revolta conjugal...
Nos cadernos confidentes quadras violadas
Pela água dos meus olhos, em caudal...!

Menina fui, rebelde e solitária.
Solidão que me envolveu e me formou,
Que fez dos meus versos saídos do peito
Farrapos da vida, que o tempo guardou!

                                                                  Eugénia Edviges



















Um grande abração!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

As Margens

Não quero chorar.
Não quero pensar.
Só quero sentir
Este rio com margens
Que não o comprimem;
Que o acarinham,
Que o engrandecem
De almas, a arte.
Sentir o corcunda
Fantasma
Que espreita
Rostos de culto,
Não devotos.
Sentir esta Torre
Envolvente,
Sempre presente.
Este ser e estar
Dependente.
Estas ruas sem fim,
Subjugadas a
Pináculos de catedrais!
…E esta chuva que cai
É delírio
Que provoca agitação
No silêncio...
Não quero chorar.
Não quero pensar.
E pelo que sou
Não quero ter pena.
Só quero sentir a cidade.
Só quero sentir
As margens do Sena.

Eugénia Edviges





Um abraço grandioso
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