Letra e música: José Rebola
Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
há sempre um conselho a dar p`rás vidas dos outros
Nada é eterno e se aguentarmos todo o mal tem fim
É fácil ter calma quando a alma não me dói a mim
Eu sou tão bom a tornar todo o mal inerte
Se é aos outros que lhes custa que o passado aperte
Mas quando a inquietude vem toda para o meu lado
Deita-se desnuda e não desgruda até me ter vergado.
É tão simples quando estou de fora
A ver passar as nuvens pelo ar
Aplaudir, rever-me e concluir
Que eu também já lá estive e...
Já soube ultrapassar
Só a mim é que ninguém me entende
E a minha dor não tem como acabar
Ai quão melhor era acordar um dia
E ter as vidas dos outros todas em meu lugar
As vidas dos outros nunca me soam mal
Vêem problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão fáceis para mim
Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Sempre me sei comportar nas vidas dos outros
Volta, revolta, o melhor está para vir
Solta tudo agora, não demora tornas a sorrir
Eu sou tão bom a apagar qualquer mau momento
Se é aos outros que lhes bate à porta o sofrimento
Mexe, remexe, alguma coisa hás-de encontrar
A solução é procurar
Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a cantar
Eu sou tão bom a contar as vidas dos outros
Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a curar
Tudo menos o meu próprio mal.
Um abraço.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Mito Poético
Com Vénus banhei o meu corpo escaldante
Da Fonte Cástila bebo lentamente
Enquanto Minerva declinadamente
Escreve os meus versos em teia gotejante.
Calíope me eleva em grande aparato,
Apolo me canta em odes extremas
E as Graças formosas me cobrem serenas
De mosto enleante das vinhas de Baco.
Os homens não vêem as rimas que eu crio.
São penas terrenas o meu atavio.
Rejubilarei então num rasgo final:
Que Morfeu persista! Que Erebo não suma!
Que os deuses me envolvam em lençol de espuma
Para que não reparem que eu sou Mortal!
Eugénia Edviges
Segundo a Mitologia Grega:
Vénus - deusa da beleza, nascida da espuma do mar;
Fonte Cástila - situada no Monte Parnaso. Quem dela bebesse tornar-se-ía poeta;
Minerva - deusa das artes, da ciência;
Calíope - deusa da eloquência;
Apolo - deus da música, protetor das artes;
Morfeu - deus do sono;
Erebo - deus da escuridão, da noite;
Baco - deus do vinho;
Graças - deusas dançarinas do Olimpo.
"As Três Graças" (1639) - um dos últimos trabalhos de Rubens.
Da Fonte Cástila bebo lentamente
Enquanto Minerva declinadamente
Escreve os meus versos em teia gotejante.
Calíope me eleva em grande aparato,
Apolo me canta em odes extremas
E as Graças formosas me cobrem serenas
De mosto enleante das vinhas de Baco.
Os homens não vêem as rimas que eu crio.
São penas terrenas o meu atavio.
Rejubilarei então num rasgo final:
Que Morfeu persista! Que Erebo não suma!
Que os deuses me envolvam em lençol de espuma
Para que não reparem que eu sou Mortal!
Eugénia Edviges
Segundo a Mitologia Grega:
Vénus - deusa da beleza, nascida da espuma do mar;
Fonte Cástila - situada no Monte Parnaso. Quem dela bebesse tornar-se-ía poeta;
Minerva - deusa das artes, da ciência;
Calíope - deusa da eloquência;
Apolo - deus da música, protetor das artes;
Morfeu - deus do sono;
Erebo - deus da escuridão, da noite;
Baco - deus do vinho;
Graças - deusas dançarinas do Olimpo.
Um abraço e votos de um ano de 2012 com muita poesia.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O Massacre dos Inocentes
Naquela noite em que as estrelas brilharam mais,
Em que anjos celestiais
Anunciaram que Jesus,
O salvador dos
homens, tinha rasgado a luz,
Muitos gritos inocentes ecoaram pelo deserto
Exalando o último alento às mãos de um tirano.
Naquela noite em que três magos de reinos distantes
Se prostraram frente ao Menino,
Em adoração
E a seus pés depositaram ouro, incenso e mirra,
Muitos gritos de mães se ouviram no deserto
Segurando nos braços os filhos agonizantes
Eugénia Edviges
Eugénia Edviges
"O Massacre dos Inocentes" óleo sobre madeira de RUBENS.
Um abraço.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Dois Poemas de Natal/ Miguel Torga e David Mourão - Ferreira
História Antiga
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.
Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga
Natal e Não Dezembro
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sitio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois : somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira
Um abraço e desejos de Bom Natal
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Poema
O mar-amante tomou-me
Eugénia Edviges
Um grande abraço.
E nos meus cabelos ficaram
Cascatas de rimas.
Não notam?
Sou ave diáfana.
Sou ave planando
Entre folhas de um livro
Só meu.
Só meu porque ninguém o lerá.
Mas grito: Vejam, concebi!
Estou prenhe de versos!
...E o sonho surge atrofiado
Ante a multidão despercebida.Eugénia Edviges
Um grande abraço.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Problema
Pi será igual a tal...
Raíz quadrada de mil...
Protões, neutrões, electrões!
Tudo faz embaraçar!
E o coração a bater
E o coração a falar.
Je serais e tu seras...
Impulsão, átomo, força...
- Menina, responda lá:
O que entende por fenómeno?
("Seus beijos parecem brasas,
seus braços parecem asas...")
- Fenómeno!?...Talvez o sinta...
E o coração a bater
e o coração a gritar.
- No Presente e no Futuro
Conjuguem o verbo ter.
("Conjugar o verbo amar
Sei de cor e salteado")
E o coração a explicar
e o coração a sofrer
Títulos de crédito, Diário...
- Façam agora o Balanço!
("Ai, esses olhos que me embalam,
essas mãos que me afagam...")
- Balanço!? Como se faz?...
Conta, Letras a Pagar...
E o coração a bater
E o coração a vibrar.
Hidrogénio, atmosfera,
Gôtas de ar, respiração.
("Nas nuvens já eu estou")
- Menina, preste atenção!
E o coração encantado
Por alguém que o encantou!
Eugénia Edviges
Eugénia Edviges
Um abraço apertado.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
As Badaladas
Mote
Canta a Torre as badaladas
E eu sei bem porque razão
Quando batem as malvadas
Vibram no meu coração
Glosas
Este Largo tem encantos
Que não cabem nos meus versos
Vazios, nus e dispersos.
Nem nas palavras pelo vento
Segredadas
Quando as horas se anunciam e
Canta a Torre as badaladas.
É toque que acarinha
De modo doce e fremente
O peito da minha gente.
Que alimenta o seu sorriso
Como pão,
Que faz seu rosto brilhar…
E eu sei bem porque razão.
Há vida no seu cantar:
Os olhares furtivos do tardar
A conversa que ficou por acabar.
Vivências de outros tempos
Lembradas
E os amores são fugazes
Quando batem as malvadas.
Sentimentos indistintos…
Quero em poemas dizer
A força que nos dá o seu bater
Em rimas que ultrapassem
A razão.
Mostrar como as badaladas
Vibram no meu coração.
Eugénia Edviges
Eugénia Edviges
Um grande abraço
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